Em 1885, começou a funcionar, no Palácio do Conde de Torres Novas, a Escola de Desenho Industrial Vitorino Damásio. O currículo educativo assentava nas seguintes ofertas:
Ensino elementar
- Preparatório: desenho à vista e contorno dos objectos;
- Complementar: desenho linear à vista, ornatos, figuras geométricas (sombreados e cores).

 
Objeto de higiene pessoal, o lenço tabaqueiro era usado ao pescoço, à cinta, ou no bolo, para limpar o suor do rosto. Surgindo em várias cores e diversos padrões, a versão vermelha, com moldura às riscas brancas e pretas, popularizou-se entre os homens que trabalhavam no campo.
Este lenço de algodão fino passou a ser conhecido como lenço tabaqueiro, por ser associado à época em que o consumo de tabaco, aspirado e não fumado, aumentou a frequência de limpar o nariz entre os seus consumidores.
A primeira fábrica de lenços, cambraias e fazendas brancas, na Alcobaça do século XVII, que produzia este lenço, emprestou-lhe ainda designação de “o alcobaça”.
Este objeto que nos leva até às memórias do trabalho nas quintas e fazendas do concelho de Torres Novas do início do século XX, faz parte do acervo do nosso museu (nº de inventário 558).

Torres Novas, memórias da vila. Um miradouro interativo

Hoje, dia 8 de julho, pelas 16h30, inaugura no Museu Municipal Carlos Reis a exposição «Torres Novas, memórias da vila. Um miradouro interativo».
Inicialmente designado «Ponto Acessível», este projeto mereceu em 2019 o apoio do ProMuseus – Programa de Apoio a Museus da Rede Portuguesa de Museus. Nasce num contexto de debate interno em que se constata como prioritária a questão das acessibilidades na abordagem à coleção, às exposições, à comunicação e ao acolhimento de públicos. Em 2021 foi implementada uma estratégia participativa para auscultar a comunidade local sobre os resultados deste projeto. As sugestões dos participantes (incluindo grupos diversificados, alguns com limitações físicas e/ou intelectuais) foram consideradas no trabalho de revisão dos conteúdos. O que agora se apresenta resulta, em parte, desse trabalho participativo.
Partindo de uma maqueta, da autoria de José Alberto Borralho, construída a partir de textos históricos sobre a vila no século XVIII, somos conduzidos a percorrer as ruas, pela antiga malha urbana, e a conhecer algumas das suas mais relevantes instituições.

 
 
Guerras e soldados
Ontem, dia 9 de julho, assinalou-se o Dia Mundial pelo Desarmamento. Se a Paz é um dos maiores bens da humanidade, é também uma espécie de quimera para todos aqueles que se veem envolvidos em guerras, ou seja, uma parte significativa da população mundial.
Olhando para o passado e para temas locais, recordamos que, na nossa história recente, dois conflitos de considerável dimensão deixaram marcas indeléveis na memória das gentes: a Primeira Guerra Mundial e a Guerra Colonial. Em ambas, centenas de jovens foram recrutados para combater longe da sua terra. Não sabemos ao certo o número de combatentes torrejanos na Grande Guerra (1914-1918), mas foram seguramente mais de 350 (sendo este o número aproximado dos registos conhecidos), dos quais mais de 20 perderam a vida no conflito. Nesta altura, a taxa de analfabetismo no concelho rondava os 75%, pelo que a propaganda de guerra dificilmente lhes chegaria através dos jornais, onde poderiam, se soubessem ler, ter acesso a frases como: «Odeia o inimigo», «Defende a tua pátria», «Despreza os boateiros», «Vigia os espiões»; ou ler artigos contra os «germanófilos» e incentivando o ódio contra os alemães. Era a igreja, através da homilia, o grande “noticiário” dos acontecimentos “relevantes” para todas estas pessoas que não sabiam ler nem escrever.

 
Sapateiros torrejanos – o sonho de um sindicato
Na sequência do sucesso dos comícios do 1.º de Maio em Torres Novas, ocorridos em 1924, a classe dos manufatores de calçado torrejana envolveu-se em manejos para se organizar num sindicato. Assim, em 16 de maio desse ano, os delegados da Federação do Calçado, Couros e Peles, na órbita da Confederação Geral do Trabalho (CGT), deslocaram-se até Torres Novas para ajudar os seus camaradas a organizarem a sua associação, sendo nomeada uma comissão administrativa para essa tarefa. Nessa reunião, segundo o diário “A Batalha”, muito concorrida, foi ainda votada a adesão do futuro sindicado à Federação e à CGT.
FOTO: Par de botas, fabricado artesanalmente, sem costuras, suspensas em armação de madeira e metal, trabalho de José Campos. Década de 1930. MMTN Inv. N.º 343.

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