Um pé na eternidade
Quando viu o fotógrafo em acção de disparo, o Dr. Pontes hesitou, expectante, demorando mais um segundo a pousar o pé direito no chão. Ou então, sabe-se lá, teve o pressentimento de que, daquele disparo, sairia uma imagem para a eternidade e suspendeu o tempo - a suspensão do tempo é a condição da eternidade.
Preparava-se o Dr. Pontes para o ritual bi-dário de visitar o seu amigo Zé da Ana, ali a dois passos, onde a mulher do antigo atleta do Desportivo guardava segredo dos melhores carapaus de cebolada, costoletas panadas e pastéis de bacalhau de Torres Novas. Era uma casa afamada, conduzida com mão férrea por mestre Zé Pedro.
Hoje as casas estão caiadas da nossa modernidade, subsiste a calçada com a farmácia em PH, que a criançada da escola olhava com intrigante curiosidade. Tudo mudou, a farmácia mudou-se para longe, o Dr. Pontes viaja agora na dimensão da eternidade. Quem tem 50 anos e por ali passa, continua a vê-lo assomar à porta, como se o tempo estivesse suspenso na memória das coisas carregadas de memórias.
Imagem: Colecção particular

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