O Orfeão Torrejano, do padre Maya dos Santos, surgia em Torres Novas em 1923/24 sob orientação daquele que viria a ser conhecido localmente pelas suas crónicas no Almonda – plenas de ironia e crítica social e política –, mas também enquanto músico. A primeira fase da existência deste agrupamento musical duraria até 1931, para renascer em 1946, com a enorme força e pujança das suas mais de 100 vozes masculinas. O fim do grupo chegaria uns anos depois, por doença do fundador, em 1955.
A peça que aqui se mostra, e que se encontra na reserva do Museu Municipal Carlos Reis, é um conjunto de fitas de cortesia, para aposição em estandarte e que foram oferecidas ao Orfeão Torrejano pelo Orfeão Abrantino em 21 de julho de 1929, ou seja, ainda na primeira fase da vida desta agremiação musical. Uma fita de cor verde / cinza, tem pintadas as armas de Abrantes, a outra, vermelha, o símbolo do Orfeão Torrejano. Os agrupamentos musicais difundiam-se pelo território nacional nesta primeira metade do século XX, correspondendo a sua profusão a um gosto musical persistente e consolidado e que então se diversificava além do gosto filarmónico, surgido antes, na segunda metade do século anterior. Este objeto constitui um testemunho dessa época e desse movimento associativo coevo.
Curioso é ainda saber que a peça foi doada ao museu por Carlos Ribeiro, provavelmente através do seu pai, que cantou no orfeão. Outra figura conhecida nos meios locais e que também cantou neste agrupamento foi João Espanhol, que anos mais tarde, em 1955, fundaria o conjunto Niger.
Referências:
MMTN N.º 3809 e ficha de inventário
Lopes, João Carlos, Nós queríamos ser artistas. Para uma história da música moderna em Torres Novas (1945-1982). Torres Novas: Âmago da questão (edição de autor), 2015, pp. 33-37
Marques, Ana Maria, Choral Phydellius 50 anos – 1957-2007. Torres Novas: Município de Torres Novas, 2008, pp. 13-26

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