A rata-cega



Relatam-nos Artur Gonçalves e António Mário Santos que no dia 2 de fevereiro de 1893 foi inaugurado ao público o caminho de ferro de Torres Novas a Alcanena. Este caminho foi construído e explorado pela Companhia de Caminho de Ferro de Torres Novas a Alcanena, tendo a sua construção sido iniciada em 1888. Antes de a obra, conforme havia sido inicialmente desenhada, ficar concluída, já funcionava o troço de Torres Novas vila, havendo relatos de acidentes anteriores à data da inauguração oficial. Assim em novembro de 1891 surgem referências a um comboio ter subido em grande velocidade a rua do teatro, cometendo «duas infrações ao regulamento» (Santos: 347) e um atropelamento mortal de uma jovem na Ribeira. Aliás, a construção desta linha terá sido polémica a vários níveis, tendo havido várias discussões sobre o traçado e alguns protestos, como o abaixo-assinado da população da vila, em setembro de 1888 contra a construção desta via férrea ou as constantes reclamações e pedidos de indemnização face aos danos em propriedades resultantes da construção da linha.

Esta, de cerca de 20 km de extensão, entrava na então vila de Torres Novas pelo largo de Santo André, seguindo pela «rua das Freiras, dos Sabugueiros, do Teatro, dos Vasconcelos, largo da Portela, rua da Ponte do Ral, tornejando para o largo dos Cides, seguia por S. Pedro a Cimo de Vila e de aí pela estrada da Ribeira até à Barreira Alva; continuava pela estrada distrital até Zibreira, entroncamento da Videla, depois pela Gouxaria e Peral, tendo o seu termino em Alcanena». (Gonçalves: 114)
Nestes escassos vinte quilómetros de linha havia 8 estações: Torres Novas (leste), Riachos, Torres Novas (vila – ao fim da rua das Freiras), Bela Vista ou Alto da Senhora da Vitória, Ribeira Branca, Zibreira, Gouxaria e Alcanena.
Devido à sua má construção e frequentes acidentes, seria conhecida como Rata-Cega ou Comboio Menino. Em abril de 1896 já se pedia o levantamento dos carris do caminho de ferro americano. Nesse mesmo ano, a linha seria desativada, pelo que foi bastante curta a passagem dos comboios por Torres Novas.

Gonçalves, Artur, Memórias de Torres Novas, Torres Novas: Câmara Municipal de Torres Novas, 1937, pp. 113-116
Santos, António Mário Lopes dos, Anais do Município de Torres Novas (1850-1910). Torres Novas: Município de Torres Novas, 2017, pp. 23, 109, 346-348, 354, 357, 358, 367, 368, 390 [outras]

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