Sempre que Carlos Reis se encontrava longe do filho João Reis, escrevia-lhe (por regra) diariamente. Nessa correspondência falava das suas rotinas, das suas opiniões, do seu dia a dia, mas também do seu trabalho. Através dessa correspondência é possível sabermos mais sobre o processo criativo da sua produção artística: o tempo que demorava a produzir as pinturas, as hesitações, a dependência que tinha dos modelos que contratava por onde passava, ou a forma como o seu trabalho era condicionado pelo estado do tempo  «(…) não pintei hoje, porque o dia esteve escuríssimo (…)», carta dirigida a João Reis, datada de 2 de dezembro de 1933

Nalgumas dessas cartas que Carlos Reis dirige ao filho (entre setembro e dezembro de 1933), é possível perceber, genericamente, em que altura iniciou a pintura “Asas”, uma das suas obras de referência, conhecida pelo soberbo domínio do branco.

Através de pequenos excertos, ficamos a saber que a iniciou em setembro e que a terminou em dezembro de 1933. Em janeiro de 1934, há noticia desta obra no jornal “Janeiro” e, em julho de 1934, da venda da pintura. Nas primeiras referências a pintura é designada “Comungante” ou “Comungantes”.

Reproduzimos abaixo alguns desses excertos:

«(…) Hontem depois de te escrever, trabalhei na cabeça da primeira comungante mas ainda não ficou como quero (…)». - Carta dirigida a João Reis em setembro de 1933

…e agora espero a pequena para a Comungantes (…)»… - Carta dirigida da João Reis em setembro de 1933

(…). À tarde espero a Comungante (…). / (4) (…) A cabecita que hontem pintei lá é um pouco melhor. Está muito séria a concertar as asas; o sorriso deixo-o para a outra que não concerta nada (…)».-  Carta dirigida da João Reis em setembro de 1933

(…). Espero em 4 dias ter a cabeça feita, ou pouco menos(…). - Carta dirigida da João Reis em outubro de 1933

(…). / Trabalhei hontem na cabecita dos olhos baixos que dou por prompta e hoje trabalho na que concerta as asas, devendo terminar a cabeça. E o resto, já que vem a caminho a moldura, fica para se acabar com ella. - Carta dirigida da João Reis em dezembro de 1933

(…). Um medico cá da terra mandou esta tarde o “Janeiro” com as “Azas” e um artigo penhorante (?) do Braz Burity. Enquanto lhe não escrevo agradece-lhe por mim (3) tanta amabilidade no seu belo artigo. - Carta dirigida da João Reis em janeiro de 1934

«(…) O Fernando de Sousa, telefonou hontem para cá dando-me os parabens da venda das “Asas”. - Carta dirigida da João Reis em julho de 1934.

Estas cartas integram o espólio da família de Carlos Reis.

Na imagem, a pintura “Asas”, em exposição no núcleo expositivo de longa duração que dedicamos à obra de Carlos Reis. Pode visitá-la no nosso museu dentro do seguinte horário: terça a sexta entre as 9h00 – 12h30 e as 14h00 – 17h30, aos sábados e domingos entre as 14h00 e as 18h00, (exceto segundas e feriados).

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