Desde 1984 que se assinala o Dia Nacional dos Castelos tendo-se estabelecido o dia 7 de outubro como data oficial. O objetivo desta comemoração é a sensibilização, valorização e reflexão sobre património fortificado. Assinalando-se, uma vez mais, as comemorações desta data, fica o convite a toda a população para uma visita ao admirável Castelo de Torres Novas. Erigido num morro sobranceiro ao rio Almonda, que o cerca quase na sua totalidade, o castelo de Torres Novas, que talvez tenha origem numa atalaia mais antiga, ganha protagonismo histórico em meados do século XII durante as guerras civis peninsulares. À fortaleza militar agregou-se a cerca, muralha de proteção da vila primitiva, dotada de portas e várias torres. A vila e o castelo voltam a ser palco de guerra durante os conflitos com Castela, no séc. XIV. Bastante arruinado com o terramoto, o castelo de Torres Novas foi prisão nos edifícios da sua alcaidaria, durante cerca de 100 anos foi chão do cemitério municipal, até que, depois das grandes obras de restauro ao abrigo do Plano dos Centenários (1940) o seu interior foi transformado em jardim municipal, ainda hoje um dos jardins mais procurados por torrejanos e visitantes.

Vista do Castelo de Torres Novas a partir do rio Almonda, após as intervenções da DGEM, 1940 [MMTN/Fundo de Fotografia]

 
FORAL DE TORRES NOVAS, por D. SANCHO I, Outubro de 1190.
Há 832 anos, através da carta de Foral concedida por Dom Sancho I, Torres Novas tornava-se um concelho com a regulamentação dos direitos e deveres dos habitantes e da povoação, atestando a sua autonomia municipal. Os “forais” ou “cartas de foral” eram documentos reais, i. e. da autoria do próprio Rei, redigidos e validados, mediante a aposição do selo régio, pelos serviços da chancelaria régia. Aos serviços da chancelaria presidia o chanceler do rei, ao qual estavam confiados os selos régios e que era um dos mais próximos ministros do soberano. O documento original do Foral de Torres Novas terá desaparecido, e foi substituído por cópia do século XIII, sendo essa a cópia que chegou até aos nossos dias, como o mais antigo documento que transcreve o Foral de Torres Novas atribuído por D. Sancho I passado a 1 de outubro de 1190 : «In nomine Sancte et Individue Trinitatis Patris et Filii et Spiritus Sanctis, ámen. (…) Ideo ego rex domnus Sancius et uxor mea regina domna Dulcia (…) duximus rapinaset iniurias hominum habitancium in Turribus Nouis… mediantes maius et meliusin animarum salute quam in caducarum rerum adquisionem lucrum nos esse consecuturus. Vnde in uilla ista sub potestate nostra constituta talia damus decreta: Siquis ergo rausum uel homicidium, uel disruperit domun cum armis uel cum feridas uel fregerit portas intrans domum ui in cauto uille, pectet D solidos.(…)». O documento encontra-se incluído no livro de registos de D. Afonso II redigido pelo chanceler Gonçalo Mendes o qual contém a versão apógrafa do primitivo Foral em folha única (30x30 cm), escrito em latim, contendo a seguinte nota compilada por Manuel da Maia, reorganizador do arquivo da Torre do Tombo após o terramoto de 1755: «Este foral de Torres Novas se meteu aqui por suplemento do que falta neste armário, 3, nº 23, por se este não haver. (…)». Certamente o Foral de Torres Novas que desapareceu do seu lugar no Armário 3 seria o documento original de D. Sancho I.

 
Esta tarde o museu esteve fechado um par de horas. Uma missão triste, mas necessária, fez-nos ter de fechar a porta para que pudéssemos acompanhar o nosso colega Paulo Matos, nesta sua última travessia.
O Paulo chegou ao Museu Municipal Carlos Reis há cerca de 8 anos. Antes tinha sido calceteiro, trabalho raro e artístico. No seu novo posto de trabalho fez muitas coisas diferentes. Estudou demoradamente a casa e as histórias que a habitavam, o que não era difícil para quem, como ele, devorava livros. Recebia todos os que nos visitavam com a sabedoria e a simpatia que o caracterizavam. Não podemos aqui dizer tudo o que queríamos sobre o Paulo, nem é preciso. Basta não o esquecermos e continuarmos a abrir as portas do museu com a mesma cordialidade e alegria. Outros, que com ele conviveram, em diferentes contextos, guardarão outras memórias, mas nesta casa, Paulo, nós guardamos um bocadinho de tudo o que nos deu. Bem-haja!

 
Um pé na eternidade
Quando viu o fotógrafo em acção de disparo, o Dr. Pontes hesitou, expectante, demorando mais um segundo a pousar o pé direito no chão. Ou então, sabe-se lá, teve o pressentimento de que, daquele disparo, sairia uma imagem para a eternidade e suspendeu o tempo - a suspensão do tempo é a condição da eternidade.
Preparava-se o Dr. Pontes para o ritual bi-dário de visitar o seu amigo Zé da Ana, ali a dois passos, onde a mulher do antigo atleta do Desportivo guardava segredo dos melhores carapaus de cebolada, costoletas panadas e pastéis de bacalhau de Torres Novas. Era uma casa afamada, conduzida com mão férrea por mestre Zé Pedro.
Hoje as casas estão caiadas da nossa modernidade, subsiste a calçada com a farmácia em PH, que a criançada da escola olhava com intrigante curiosidade. Tudo mudou, a farmácia mudou-se para longe, o Dr. Pontes viaja agora na dimensão da eternidade. Quem tem 50 anos e por ali passa, continua a vê-lo assomar à porta, como se o tempo estivesse suspenso na memória das coisas carregadas de memórias.
Imagem: Colecção particular

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