Ainda há relativamente pouco tempo, na edição do Almonda de 26 de julho de 2019, um artigo intitulado «No verão as festas são nas aldeias» anunciava um calendário de festividades para a única época do ano em que as nossas aldeias, cada vez mais desertas e envelhecidas, se preparam para receber os seus “filhos”. Vindas de outros pontos do país, ou mesmo de fora do território nacional, muitas famílias regressam à terra para gozar as férias de verão. Então, as ruas enchem-se de renovada alegria. Ouvem-se as vozes bem-dispostas de quem esperou o ano inteiro por estes dias estivais para reencontrar amigos ou pessoas de família. Finalmente, há miúdos na rua e, mesmo que se vá uns dias à praia, não se dispensa uma temporada cá na terra, de preferência na altura da festa de verão.

 
Trabalhos de Maria Amélia da Costa Nery no Museu Municipal Carlos Reis (II)
Hoje damos a conhecer mais uma peça do acervo do nosso museu: um baú em couro cinzelado pela mão da artista torrejana Maria Amélia da Costa Nery (1870-1960). Além dos apontamentos sobre as suas raízes familiares, já referidos, acrescentamos mais algumas informações sobre o seu percurso artístico, a partir do texto de Franklin Pereira, que estudou pormenorizadamente o trabalho da artista e, muito concretamente, as peças que se encontram à guarda do Museu Municipal Carlos Reis.

 
 
As formas de relevo são um património coletivo, contribuindo de forma indelével para a construção do sentimento de pertença do indivíduo a um determinado espaço. O ARRIFE da serra de Aire é uma escarpa de falha (geológica) que não passa despercebida a quem vive ou passa por Torres Novas, e que indica o início a sudeste do Maciço Calcário Estremenho.
Na Memória Paroquial do Alqueidão da Serra, redigida pelo prior Antonio Antunez de Mello, em 5 de abril de 1758, identificava-se bem a geomorfologia associada à serra de Aire, e concretizava-se a designação de arrife: “… a povoação do Vale da Serra fica sobindo-se já hum arrife da mesma serra (Serra de Ayres): que hé como hῦa muralha continuada, e serve de degrao para a serra e sobido o arrife faz hῦa grande planície, em que sobresahem muitas pedras e algῦas grandissimas.”
(vista do arrife desde as cercanias das Lapas, desenhada por Alfredo Fernandes Martins)
Martins, Alfredo Fernandes (1949) - «Maciço Calcário Estremenho, Contribuição para um estudo de geografia física.» (Imagem: op. cit, p 71)
Silva, Vasco Jorge Rosa da (2020) - «Serra de Aire em 1758», Nova Augusta, n.º 20, Torres Novas, Câmara Municipal de Torres Novas.

 
Trabalhos de Maria Amélia da Costa Nery no Museu Municipal Carlos Reis (I)
No acervo do Museu Municipal Carlos Reis existem algumas peças da autoria de Maria Amélia da Costa Nery. Franklin Pereira, investigador das artes do couro lavrado, escreveu sobre esses trabalhos em artigo publicado na Nova Augusta em 2013.
Nascida em Torres Novas em 1870, Maria Amélia da Costa Nery faleceu em Lisboa em 1960. Filha de José da Costa Nery, fundador da Metalúrgica Costa Nery (1855) era tia da escritora Maria Elisa Nery de Oliveira. Foi discípula de Carlos Reis e sócia fundadora da Sociedade Nacional de Belas Artes. A peça que hoje mostramos é uma cadeira em couro lavrado cujo trabalho de cinzelagem é da sua autoria e que foi incorporada no acervo do Museu Municipal Carlos Reis em 1962.

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