Musealização da Central Hidroelétrica do Caldeirão – Torres Novas // Recolha de memórias e testemunhos dos trabalhadores

Continuamos com a recolha de mais testemunhos orais de trabalhadores para conhecermos melhor o funcionamento da central e as dinâmicas laborais e sociais. Aqui fica o registo do testemunho do Sr. José Manuel Gaveta do piquete de eletricistas da Central:

“(...) Fui trabalhar para a central do Almonda em 1960, como aprendiz. Naquela época fazíamos tudo o que era preciso nos trabalhos de instalação e nas avarias. Eu era aprendiz de eletricista e o nosso encarregado geral era o Sr. José Alves. Uma das primeiras memórias que tenho dos tempos da central foi a eletrificação das aldeias na parte de iluminação pública, pois a rede particular foi feita numa segunda fase. Naquela época, a grande preocupação do patrão Sr. José Maria Tavares, era garantir a eletricidade às aldeias da linha de fronteira com outros concelhos para fazerem de charneira e não nos levarem a clientela, e essas foram as primeiras a serem eletrificadas. Eu fiz Brogueira, Alcorochel, Parceiros tudo por aí a dentro nesses vales e cabeços, Valhelhas, Chícharo... fazíamos tudo à unha. Sempre dois a dois fazíamos os buracos e levantávamos os postes, depois era subir os postes, e passar fio, metros e metros até fazermos as ruas das aldeias. Por exemplo, para transportar uma escada de 25m, sabe como se fazia? - Andávamos dois a dois com a escada no pescoço cada qual em sua bicicleta a segurar as pontas da escada... A ferramenta era pouca e as proteções também... As minhas ferramentas era um alicatezito e pouco mais.

Musealização da Central Hidroelétrica do Caldeirão – Torres Novas // Recolha de memórias e testemunhos dos trabalhadores


Continuamos com a recolha de mais testemunhos orais de trabalhadores/as para conhecermos melhor o funcionamento da central, suas dinâmicas laborais e sociais. Desta vez, tivemos o grato prazer de conversar com Eduarda Silva que connosco partilhou as suas muitas memórias:

" (...) Apesar de minha minha passagem pela Central não ter sido muito duradoura como trabalhadora, a Central marcou toda a minha vida, pois quando eu nasci (1940) já meu pai lá trabalhava, de modo que, as minhas primeiras memórias é de em miúda andar a brincar no jardim da central... para mim, todos os trabalhadores e eu, éramos como se fossemos uma família. Meu pai, esteve presente desde o início da empresa como encarregado técnico. Em Torres Novas era conhecido como o "Sr. Vasco da Central" e ainda deve haver quem se recorde dele. Foi admitido em 1934, conheceu os princípios da firma e os primeiros proprietários e não havia máquina nenhuma, mecanismos e motores que ele não conhecesse ao mais ínfimo detalhe. A central era a sua vida. Estudava ao pormenor os mecanismos, fazia apontamentos técnicos e, efetivamente, naquele tempo, a prioridade era que as máquinas nunca parassem, nem avariassem, e se houvesse uma avaria, tinha de se saber como reparar.

Já chegou ao Centro de Documentação do nosso museu o catálogo da exposição "Azul e ouro: Esmaltes em Portugal da Época Medieval à Época Moderna”, que decorreu no Museu Nacional Soares dos Reis (MNSR), no Porto, entre 29 de julho e 31 de outubro de 2021.
Esta exposição, comissariada por Ana Paula Machado, revelava peças produzidas entre os séculos XII e XIX - vários "tesouros nacionais” de coleções portuguesas (como, por exemplo, o tríptico da Paixão de Cristo do Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo) e internacionais.

Calendário

Eventos

Seg. Ter. Qua. Qui. Sex. Sáb. Dom.

Outros sites

Biblioteca Municipal Gustavo Pinto Lopes Ano Europeu do Património Cultural