Até ao final de julho, continuam os trabalhos arqueológicos na Villa Cardilio. Esta campanha insere-se no protocolo de investigação estabelecido entre o Município de Torres Novas e a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, através da UNIARQ. Participam nesta fase do projeto estudantes da FLUL e voluntários locais, sob a coordenação científica do arqueólogo Victor Filipe.
(Campanha Villa Cardilio 2022/semana 3)

 
O Orfeão Torrejano, do padre Maya dos Santos, surgia em Torres Novas em 1923/24 sob orientação daquele que viria a ser conhecido localmente pelas suas crónicas no Almonda – plenas de ironia e crítica social e política –, mas também enquanto músico. A primeira fase da existência deste agrupamento musical duraria até 1931, para renascer em 1946, com a enorme força e pujança das suas mais de 100 vozes masculinas. O fim do grupo chegaria uns anos depois, por doença do fundador, em 1955.

 
Objeto de higiene pessoal, o lenço tabaqueiro era usado ao pescoço, à cinta, ou no bolo, para limpar o suor do rosto. Surgindo em várias cores e diversos padrões, a versão vermelha, com moldura às riscas brancas e pretas, popularizou-se entre os homens que trabalhavam no campo.
Este lenço de algodão fino passou a ser conhecido como lenço tabaqueiro, por ser associado à época em que o consumo de tabaco, aspirado e não fumado, aumentou a frequência de limpar o nariz entre os seus consumidores.
A primeira fábrica de lenços, cambraias e fazendas brancas, na Alcobaça do século XVII, que produzia este lenço, emprestou-lhe ainda designação de “o alcobaça”.
Este objeto que nos leva até às memórias do trabalho nas quintas e fazendas do concelho de Torres Novas do início do século XX, faz parte do acervo do nosso museu (nº de inventário 558).

 
Em 1885, começou a funcionar, no Palácio do Conde de Torres Novas, a Escola de Desenho Industrial Vitorino Damásio. O currículo educativo assentava nas seguintes ofertas:
Ensino elementar
- Preparatório: desenho à vista e contorno dos objectos;
- Complementar: desenho linear à vista, ornatos, figuras geométricas (sombreados e cores).

 
 
Guerras e soldados
Ontem, dia 9 de julho, assinalou-se o Dia Mundial pelo Desarmamento. Se a Paz é um dos maiores bens da humanidade, é também uma espécie de quimera para todos aqueles que se veem envolvidos em guerras, ou seja, uma parte significativa da população mundial.
Olhando para o passado e para temas locais, recordamos que, na nossa história recente, dois conflitos de considerável dimensão deixaram marcas indeléveis na memória das gentes: a Primeira Guerra Mundial e a Guerra Colonial. Em ambas, centenas de jovens foram recrutados para combater longe da sua terra. Não sabemos ao certo o número de combatentes torrejanos na Grande Guerra (1914-1918), mas foram seguramente mais de 350 (sendo este o número aproximado dos registos conhecidos), dos quais mais de 20 perderam a vida no conflito. Nesta altura, a taxa de analfabetismo no concelho rondava os 75%, pelo que a propaganda de guerra dificilmente lhes chegaria através dos jornais, onde poderiam, se soubessem ler, ter acesso a frases como: «Odeia o inimigo», «Defende a tua pátria», «Despreza os boateiros», «Vigia os espiões»; ou ler artigos contra os «germanófilos» e incentivando o ódio contra os alemães. Era a igreja, através da homilia, o grande “noticiário” dos acontecimentos “relevantes” para todas estas pessoas que não sabiam ler nem escrever.

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