No passado sábado celebrou-se o Dia Internacional do Livro Infantil. Evocamos aqui a memória de quatro torrejanas, escritoras e educadoras, que escreveram e publicaram obras dedicadas às crianças.
Primeiro, destacamos a figura de Maria Lamas (1893-1983), Maria da Conceição Vassalo e Silva, conhecida por tantas lutas, pela paz e pelos direitos das mulheres, pela oposição ao Estado Novo, jornalista, autora de romances e poesia, mas que também dedicou à literatura infantil: «Maria Cotovia» (contos infantis, 1929), «Aventuras de cinco irmãozinhos» (novela infantil, 1931), «A montanha maravilhosa» (novela infantil, 1933), «Estrela do Norte» (novela infantil, 1934), «Os brincos de cerejas» (novela infantil, 1935), «O vale dos encantos» (novela infantil, 1942).
Judith Navarro (1908-1987), Judite Vitória Gomes da Silva, escreveu poesia e revelou-se uma romancista de mérito. É autora da obra «Cenas Líricas» (teatro infantil, 1942), embora os seus romances «Esta é a minha história» (1947) e «A azinhaga dos besouros» (1947), abordem temáticas acessíveis ao público juvenil.
Maria Lúcia (Vassalo) Namorado (1909-2000), que era prima de Maria Lamas e que, tal como esta, foi jornalista, destacou-se como pedagoga e produziu vários textos de literatura infantil: «A história do pintainho amarelo» (1966), «A história de um bago de milho» (1968), «O meu livrinho de quadras» (1971), «O meu livrinho de provérbios» (1971), «O meu livrinho de adivinhas» (1971), «Aventuras do Janoca e do Janeca» (1971), «Era uma vez…» (1976), «O segredo da serra azul» (peça de teatro, 1984), entre outras.
Maria Elisa Nery de Oliveira (1910-1997) ou Maria Elisa Neto da Costa Nery de Oliveira é autora de obra poética, mas também de dois livros para crianças: «A quinta das amendoeiras» (1954) e «Férias da Páscoa» (1956). É da primeira dessas obras, que se transcreve um pequeno extrato:
«Quando a aranha está dum lado do ribeiro, e quer fazer uma teia como esta, que atravessa a água de um lado para o outro, sabem como o consegue? (…) A aranha, quando quer fazer a teia, sobe a uma das árvores mas altas de uma das margens, e, de lá, calcula a distância para o lado oposto. Tece um fio e depois não tem mais a fazer do que deixá-lo flutuar, aguardando que o vento o prenda a uma das árvores do lado oposto».
Referências:
Bicho, Joaquim Rodrigues Bicho [Introdução e notas de Margarida Moleiro], «Colectânea de textos de autores torrejanos (séculos XV-XX)». Torres Novas: Município de Torres Novas, 2006, pp. 43-45, 361-376, 415-430, 449-456, 489-494

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