Musealização da Central Hidroelétrica do Caldeirão – Torres Novas // Recolha de memórias e testemunhos dos trabalhadores


Continuamos com a recolha de mais testemunhos orais de trabalhadores/as para conhecermos melhor o funcionamento da central, suas dinâmicas laborais e sociais. Desta vez, tivemos o grato prazer de conversar com Eduarda Silva que connosco partilhou as suas muitas memórias:

" (...) Apesar de minha minha passagem pela Central não ter sido muito duradoura como trabalhadora, a Central marcou toda a minha vida, pois quando eu nasci (1940) já meu pai lá trabalhava, de modo que, as minhas primeiras memórias é de em miúda andar a brincar no jardim da central... para mim, todos os trabalhadores e eu, éramos como se fossemos uma família. Meu pai, esteve presente desde o início da empresa como encarregado técnico. Em Torres Novas era conhecido como o "Sr. Vasco da Central" e ainda deve haver quem se recorde dele. Foi admitido em 1934, conheceu os princípios da firma e os primeiros proprietários e não havia máquina nenhuma, mecanismos e motores que ele não conhecesse ao mais ínfimo detalhe. A central era a sua vida. Estudava ao pormenor os mecanismos, fazia apontamentos técnicos e, efetivamente, naquele tempo, a prioridade era que as máquinas nunca parassem, nem avariassem, e se houvesse uma avaria, tinha de se saber como reparar.

Portanto, a central marcou o início da minha vida profissional, tinha eu cerca de 20 anos, fui admitida como empregada de caixa-contabilidade. Fui a primeira mulher a ser admitida. Quem me ensinou na prática do trabalho que era preciso fazer foi o Sr. Manuel Piranga, uma pessoa extraordinária. As pessoas vinham pagar, fazer contratos, tudo isso foi um processo relativamente rápido de instalação e distribuição, mas por fases, feito progressivamente. A grande preocupação era que nunca faltasse luz no hospital e nas casas comerciais e oficinas que dependiam das máquinas da central, lagares de azeite, por exemplo... "
“A Central foi importantíssima para Torres Novas. Nesse tempo, Torres Novas era das terras mais industrializadas e com mais vida comercial do distrito de Santarém."

(Eduarda Silva, Torres Novas, 81 anos, serviços de contabilidade, caixa-balcão da Central)

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