Museu Municipal Carlos Reis - Torres Novas

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"MÚSICOS" de José Vassalo

12-10-2016

Exposição da doação de José Vassalo Pereira ao Museu Municipal Carlos Reis, IN MEMORIAM DE MANUEL VIEIRA BORGA SOBRINHO

José Vassalo (José António Vieira Vassalo Pereira) nasceu em Lisboa em 1944. Provém de uma família cujo ramo materno se instala em Torres Novas (Lapas), no início do século XIX, e constituiu algumas empresas familiares sediadas no concelho torrejano. Seu tio-avô foi o fundador da "Manuel Vieira & C.ª. (Irmão) Sucrs., Lda"; sua mãe, Maria de Jesus Vieira Vassalo, era prima direita dos irmãos Maria Lamas e Manuel António Vassalo e Silva, e de Maria Lúcia Vassalo Namorado, naturais de Torres Novas. Inicia-se muito cedo na pintura em “ateliers” privados: em 1953, no de Raquel Roque Gameiro e, em 1961, no de Guilherme Filipe. Cursa Matemáticas na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e parte para Paris em 1965. Faz doutoramento de Estado em 1971 (Universidade de Paris), provas de agregação em 1977 e torna-se professor catedrático na Universidade de Lisboa (FCUL). Regressado a Portugal, durante mais de três décadas reparte a sua atividade pela carreira de professor e investigador científico e pela administração das empresas familiares. Em 1981 retoma definitivamente a pintura no seu “atelier” da Quinta de Santo António, Rio de Mouro, onde residiu até à data da sua morte em 2016, e onde se encontra reunida quase toda a produção plástica, constituída aproximadamente por 500 óleos, acrílicos e colagens, 250 pastéis secos, 150 pastéis de óleo, e um número indeterminado de grafites, textos e documentos vários, na situação singular de deliberadamente nunca a ter exposto e confrontado em público, só aberta ao conhecimento e cedência a um círculo restrito de amigos, com uma única exceção, o díptico A glória de Deus, A cólera de Deus, instalado em 2008 na cripta da Igreja Paroquial de São João de Deus, em Lisboa.

Os temas dominantes incluem-se no que designou "ciclos", desenvolvidos em simultâneo mas nesta breve biografia referidos pela ordem decrescente do número de obras de cada ciclo: "paisagens", "retratos", "músicos", "cavalos e cavaleiros", "clássicos revisitados", "outros". Muitas das obras são sucessivamente retomadas no decurso de uma permanente reflexão autocrítica da sua composição, aprofundamento da técnica de execução e vigilância da sua estabilização material no tempo. A vida de cada obra é metodicamente registada nos seus ficheiros, o que permite hoje a sua inventariação e o estudo detalhado do seu percurso criativo.  

São múltiplas e explícitas as referências fundadoras das suas obras, desenvolvidas com uma grande unidade e sem concessões a correntes de estilo e segundo uma visão muito própria, o que fixa a sua singularidade. Em cada obra está presente a investigação e reflexão crítica e sensorial do tema representado e a influência dos mestres tutelares, servida por uma sólida técnica de execução. Neste desassombro e independência criativa reside a maior qualidade plástica de José Vassalo, concentrado na construção de uma obra ancorada na investigação dos seus mestres referenciais e na sua modernidade intemporal, em confronto com a sucessão das correntes plásticas que se lhe sucederam. Os temas correspondem ao tema com que inicia o seu percurso criativo, "cavalos e cavaleiros", que constitui a primeira matriz de auto avaliação das capacidades compositiva e técnica e vai coexistir sempre com os mais intimamente despertos na sua sensibilidade e formação - "música", "história", "filosofia", "religião"; o tema "paisagens", com o maior número de produções, constituiu, como José Vassalo referia, o seu permanente laboratório de experiências. A investigação e ensino, e a gestão das empresas familiares, são as outras duas atividades profissional e autonomamente desenvolvidas por José Vassalo, mas totalmente omissas na temática da sua criação plástica, ainda que nela esteja sempre presente a “investigação” associada à “disciplina” da sua execução e monitorização. Em síntese, poder-se-á afirmar que as suas obras, despertas pelos seus mestres tutelares da pintura, são servidas por uma sensibilidade que lhe permitiu transpor um profundo conhecimento dos temas abordados para uma expressão plástica muito própria.  

   

Os mestres tutelares da pintura, do pensamento e da busca de Deus, a que associa a música, constituem a matriz da fracção da sua obra plástica aqui exposta, que se integra no legado “in memoriam do seu tio-avô Manuel Vieira Borga Sobrinho” ao Museu Municipal Carlos Reis de Torres Novas.

 

Local: Praça do Peixe, de 14 de Outubro a 27 de Novembro das 15H às 19H. Encerrado aos Sábados.

 

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